Gênesis 1:1 - No Princípio
- alexandredacostaol
- 27 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Uma das maiores virtudes das Escrituras é a sua simplicidade profunda. A Bíblia não começa com argumentos filosóficos, nem com explicações científicas, mas com uma declaração clara, majestosa e suficiente:
“No princípio criou Deus os céus e a terra.” (Gênesis 1.1)
Essa afirmação inaugura toda a cosmovisão cristã. Ela estabelece, logo no início, uma distinção fundamental: Deus é eterno; tudo o mais é criação. Nada existe por si mesmo. Tudo depende da vontade, da palavra e do poder do Criador.
Mas essa verdade levanta perguntas importantes: quando tudo começou, o que exatamente foi criado? O tempo? A matéria? E o mundo espiritual? Onde entram os anjos nessa história?
O “princípio” não é um detalhe — é o fundamento
O “princípio” de Gênesis 1.1 não é apenas o início do universo material. Ele marca o começo absoluto da realidade criada. Antes desse princípio, não havia matéria, espaço, tempo ou criaturas espirituais. Havia apenas Deus — eterno, triúno, autoexistente.
A Escritura confirma isso repetidamente:
“Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir.” (Salmo 33.9)
Portanto, o “princípio” não descreve um estágio dentro de uma história maior, mas o momento em que Deus chama à existência tudo aquilo que não é Ele mesmo.
O tempo também é criação de Deus
Muitas vezes pensamos no tempo como algo natural e eterno, mas a Bíblia apresenta outra perspectiva: o tempo começa com a criação.
Em Gênesis 1, a sucessão dos dias — “houve tarde e manhã” — revela que o tempo passa a existir juntamente com o mundo criado. Somente Deus é eterno:
“De eternidade a eternidade, tu és Deus.” (Salmo 90.2)
Deus não está preso ao tempo. Ele não envelhece, não muda, não espera. Ele cria o tempo e governa a história soberanamente.
Essa verdade é essencial para a fé cristã, pois impede que pensemos em Deus apenas como “o mais antigo dos seres”, em vez do Senhor eterno sobre todas as coisas.
E os anjos? Eles também foram criados?
Sim. A Bíblia é clara ao afirmar que os anjos não são eternos, nem divinos. Eles fazem parte da criação de Deus.
“Louvem o nome do Senhor, pois ele ordenou, e foram criados.” (Salmo 148.5)“Pois, nele, foram criadas todas as coisas… visíveis e invisíveis.” (Colossenses 1.16)
Os anjos pertencem ao mundo invisível criado por Deus. Eles não existem por si mesmos, não compartilham da eternidade divina e não devem ser adorados.
Os anjos existiam antes da criação da terra?
Um texto decisivo para essa questão está em Jó 38. Quando Deus questiona Jó sobre a criação, Ele diz:
“Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? … quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Jó 38.4–7)
No livro de Jó, a expressão “filhos de Deus” refere-se aos seres celestiais. Isso indica que os anjos já existiam quando Deus criou a terra.
Mas é importante entender corretamente o que isso significa. Não quer dizer que os anjos existiam desde a eternidade ou fora do “princípio”. Significa que, dentro do ato criador inicial,
Deus trouxe à existência tanto o mundo espiritual quanto o mundo material, ainda que o relato bíblico foque especialmente na criação do mundo habitável e do homem.
Os anjos vivem fora do tempo?
Não. Apenas Deus é verdadeiramente atemporal.
Os anjos:
Pensam e agem
Executam missões
Tomam decisões
Alguns caíram em pecado (cf. 2 Pedro 2.4; Judas 6)
Tudo isso pressupõe sucessão. Portanto, os anjos não são eternos nem atemporais, mas também não estão submetidos ao tempo físico, como nós, marcado por relógios, dias e anos.
Eles pertencem a uma ordem criada espiritual, com início e com sucessão real de atos,
distinta da nossa experiência corporal do tempo.
Por que essa doutrina é importante para a vida cristã?
Essas verdades não são meras curiosidades teológicas. Elas moldam nossa fé e nossa prática:
Reafirmam que só Deus é eterno
Preservam a distinção entre Criador e criatura
Impedem a supervalorização dos anjos
Fortalecem a centralidade de Cristo
“Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.” (Colossenses 1.17)
Além disso, nos lembram que vivemos em um mundo criado com propósito, ordem e direção, sustentado pela palavra de Deus.
Conclusão
O “princípio” de Gênesis 1.1 abrange toda a criação — visível e invisível. Nele, Deus chama à existência tanto o mundo espiritual quanto o material. Ainda que o texto bíblico concentre sua atenção na criação do mundo e do homem, a Escritura como um todo nos mostra que os seres angelicais foram criados nesse mesmo princípio e já existiam quando a terra foi fundada.
Essa compreensão não nos leva à especulação, mas à reverência, à humildade e à adoração.
“Ó Senhor, quão numerosas são as tuas obras! Fizeste todas elas com sabedoria.” (Salmo 104.24)
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